quarta-feira, 18 de abril de 2018

Os quase-ídolos

    Essa categoria, além de saciar um pouco a sede de quem é aficcionado por listas, sugere uma reparação histórica. A lista que se segue é daqueles jogadores que não tiveram tempo de serem idolatrados, mas prometeram. Ou mesmo, daqueles que, a meu ver, deveriam ser mais lembrados pelos serviços prestados a nossa camisa. Apenas 10 nomes.

1° Luís Henrique - O nome de Luís Henrique aparece aqui como protesto pela ausência sistemática dele na galeria dos ídolos. Além de compor a espinha dorsal do time que foi 4° lugar no Brasileirão de 90 (junto com Naldinho, Jorginho e os campeões brasileiros Gil, Paulo Rodrigues, Charles e Marquinhos), Luís Henrique foi o único jogador que, atuando no futebol baiano, foi titular da Seleção principal em um campeonato oficial ( Copa América de 91). Esses dois feitos serviriam para guindá-lo à categoria de idolo, mas a História não entendeu assim. Há jogadores como Naldinho, Lima e Feijão, que, mesmo sem figurarem nos compêndios que elegem o Olimpo tricolor, são idolos da torcida. Luís Henrique não teve esse reconhecimento.

2° Emo: O "Fiapo", meia-atacante de grande habilidade e disciplina tática, já foi considerado melhor jogador do baianão de 1983, sendo também peça importante na bela campanha do brasileirão de 85, é estranhamente esquecido quando se fala em grandes meio-campistas que vestiram nossa camisa.

3° Bebeto Campos - talvez pela trajetória do lado de lá e pelo precoce encerramento da carreira não tenha obtido o reconhecimento que merecia, mas compartilha com o ídolo máximo da História tricolor - Baiaco - o fato de ser ídolo dos companheiros de elenco.

4° Sérgio Alves - goleador implacável, foi o maior  artilheiro da história do Nordestão (13 gols) em um ataque que tinha Nonato e Robgol. Passou pouquíssimo tempo no Bahia, mas deixou essa marca. Autor de um gol antologico de bicicleta contra o Fortaleza, talvez, se tivesse tido tempo, teria feito História mais consistente no Bahia.

4° Paulo Emílio - meia de rara habilidade  e imenso senso tático. Cérebro do time eneacampeão de juniores, teve muito menos reconhecimento que Marcelo, Jean e Ueslei, seus contemporâneos. Continuou regendo  o grupo bicampeão baiano de 94 para ainda ser superado em prestigio por Zé Roberto e Raudinei.

5° Zé Augusto - Criado na Fazendinha, foi eterna promessa e e eterno coadjuvante na zaga tricolor nos anos 70 e começo dos 80. Mesmo sem ser dono de apurada técnica, é caso de dedicação à camisa do Bahia que não figura nos diálogos da torcida.

6° Klebson - promessa da base que foi criticado durante muito tempo até desabrochar em 2000 e ser negociado com o Vasco para compor um elenco estrelado. Quando morreu, em um terrivel acidente de carro quando se dirigia a sua Itiúba
natal, era nome cotadíssimo para a Seleção.

7° Gilson Gênio - melhor jogador do time que enfiou 5 no Santa Cruz e, talvez,  melhor atacante daquele ano de 81,  nunca foi idolatrado no Bahia como foi no próprio Santa Cruz.

8° Kieza - esse teve até camisa lançada para ser um projeto de ídolo da gestão Marcelo Sant'anna, mas o amor da torcida foi transformado em odio pela "virada de casaca" ao assumir a camisa 9 do rival, em uma desastrada passagem por Canabrava.

9° Anderson Talisca - meia de estilo elegante, raro e diferenciado que recebia tratamento ambíguo da impaciente torcida tricolor. No ano em que foi o principal jogador do elenco foi negociado para o Benfica e hoje brilha no Besiktas da Turquia, tendo sido convocado por Tite para jogos preparatórios da Copa 2018.

10° Jeanzinho - caso parecido com o de Talisca, esse tinha DNA de ídolo, já que é filho de Jean. Mas, depois de um inicio conturbado e uma falha trágica na final do Nordestao 2015, foi catapultado a ídolo pelo brilhante campeonato brasileiro de 2017. Não teve tempo de saborear a idolatria porque foi vendido a um São Paulo ávido por suprir a lacuna deixada por Rogerio Ceni.

   Esse foi um pequeno elenco feito por quem tem vertigem por listas. Ficaram de fora aqui os campeões de 59 e 88, porque entendo que aqueles elencos já conquistaram a eternidade. Ninguém é obrigado a concordar e outras listas podem aparecer.


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